sábado, 3 de janeiro de 2009


Escapei de um mar revolto com ondas altas e redemoinhos sem-fins por um estreito turbulento. Travessia complexa de manobras tortuosas para não encarar o paredão. O gosto de sal não distingue mar de lágrima. Desemboquei num lago quase plácido. Nada belo, céu cinzento. Estranha serenidade. Aqui e ali, ondas circulares surgem na superfície, provenientes de borbolhas vindas do fundo. Crocodilos? Podia ser golfinhos. Espero que não seja o Ness. Ouço um canto. Iara? Sereia? Vento? Faço ouvidos moucos. A mão necessita de mais calos para a longa travessia. Nada à margem. Tudo é bússola em direção ao azul.

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